Quem disse que meus poemas são poemas? Meus poemas não são poemas. Quando entenderes que meus poemas não são poemas, poderemos então falar de poesia.
Ryokan (1758-1831)

Daqui de cima

Posted: March 3rd, 2010 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Ela estava linda naquele dia de multidão e feriado. Cheia de óculos, como eu gosto. Deixava aquele ar, eu sou melhor do que você. Eu sei.


Non personal awareness

Posted: February 23rd, 2010 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

O tempo deita na rua e deixa os outros passarem.

Vamos lá, ele diz. Pra onde, ela responde sem perguntar.

Investigo o pôr-do-sol, mas ele sempre me responde com um sorriso amarelo, daqueles mais belos…


Shhhhh!

Posted: February 22nd, 2010 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »
Sem demostrar vontade própria a vida me acaricia o peito e nisso encontro sossego.
- Você o ama?
- Eu amo. É maior que isso.
O tempo deita na rua e deixa os outros passarem.
Ela investigo o pôr-do-sol e ele sempre a responde com um sorriso amarelo. Daquele mais belos.

Sem demonstrar vontade própria, a vida nos acaricia o peito. Nisso se encontra todo o sossego.


Hara Gestalt

Posted: December 7th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | 2 Comments »

Comeu um tempurá de flor-de-lótus e ficou mareado, sem esperar.

Tem problema não: poesia de vida que é boa, dá jeito em tudo.

- Devo a ela minha redenção.

- Deve não…

A completa anarquia interior ainda é o melhor remédio.


Pianoforte in A Sharp

Posted: November 23rd, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

As laranjas-cravo do meu quintal florescem em pés-de-canela dos mais antigos.

Inigualáveis, já nascem perfumando a brisa, sem pedir permissão.

A verdade lá, a falta de dúvidas aqui.

E nesse beijo bom, o barulho do papel amassado impera.


Alcachofra heart

Posted: November 11th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

O meu mundo dói nos outros e talvez um pouco mais em mim. Na agressividade inerente, o cheiro acolhedor de outros tempos: “If you have the courage to touch life for the first time, you will never know what hit you.”

Não tenho mais opiniões significativas. Tenho ruídos vazios, sem quês, nem porquês.

- Quando a vida se vai, o sabor vai junto?


Waves that vary in frequency and amplitude

Posted: October 10th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Se uma árvore cai na floresta e ninguém está por perto para ouvir, ela produz som ou não?

- Não importa!

O sentir do sentar, o sabor do café, o cheiro do dormir.

A clareza só é possível àqueles que não têm conclusões.


Amarena sabor pistache

Posted: September 25th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »
O cheiro e a poeira do ar-condicionado avisam que mil budas nascem e morrem a cada milésimo de segundo, não importa onde.
- E a vida é perceber que qualquer coisa não passa de um koan…
- O cheiro da laranja-cravo…
O espaço do ser sempre soube.

O som e a poeira do ar-condicionado avisam que mil budas nascem e morrem a cada milésimo de segundo, não importa onde.

- E que viver é perceber que qualquer coisa não passa de um koan

- O cheiro da laranja-cravo…

O espaço do ser sempre soube.


Just this beauty

Posted: September 25th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Felicidade? Perguntaram-me por telefone mas preferi deixar quieto. É que tudo na vida foi feito para não ser levado a sério.

Temporário, impermanente, interdependente… o limão é azedo, a laranja é doce.

- Não se agarre, my dear

Permitir ao tempo passar sobre sua quietude inerente: rio parado deixa os peixes com cãibra.


Endless

Posted: June 29th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Um sorriso ao menos. Um olhar ao lado.

Tanto por tão pouco. Parece.

Mas não é.

Jacaré sem calda não tem bicho de pé.


Belly button

Posted: June 29th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Certas situações cansam e parecem que não acabam nunca. Sobra o tempo, a vontade, algumas borboletas na barriga e a mente na imensidão. E daí?

- Quando eu me for, essa certeza vai me acompanhar?

- Se você aprender a esperar, monge, a espera se transforma na sua resposta.

-…

Quando tomo chá, eu sou a xícara, eu sou o chá… mas mesmo assim, há uma verdade maior:  eu queria muito ter uma almofada doce, igualzinha ao teu colo.


Joyous acceptance

Posted: May 26th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | 2 Comments »

Sexta, sábado, quarta, quarto de manhã.

Manoela sorri, olhando o dia, em um desencanto feliz.

Se fosse diferente seria melhor?


Joshu

Posted: May 9th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Se ainda fosse, mas não.

Toda pergunta é sem resposta.

Uma beleza só.

Ele abre a boca e mostra o coração.


Beginningless

Posted: April 24th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Não tem comparação. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é.

- Ele perguntou o que eu achava e eu respondi.

- A verdade?

- Não. Algo ainda mais importante.

- …

O saxofone soa como um pato e o trompete como um ganso.


Quando

Posted: April 22nd, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Nem sempre é assim

Os bons livros

Queimam devagar no inverno


Calamity 101

Posted: April 1st, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | 3 Comments »

Minha vida desmorona em um sorriso: cada vez menos pra ver, cada vez menos para qualquer coisa.

More is less, they say. And I agree in disagreement.

No fundo é tudo igual.


Broadcast

Posted: March 17th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Penso em você

O som dos meus dedos no teclado

Não tem um lugar para morar


Ex-libris

Posted: March 16th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Chove lá fora

Uma caneta descansa

No frio do ar-condicionado


Reverência

Posted: March 3rd, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Ela escorre pela esguia fresta inconsolada.

Ele não se importa.

Ao pisar no chão de pedra com salto alto, cócegas dentro do nariz.


Aparência

Posted: February 27th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Quando o vento frio matinal soprou assustando o gato cinza espreguiçado sobre a cama, o velho monge amarelo, sentado de pernas cruzadas no chão, não se mexeu.

Amanhecia pela janela aberta do quarto, e a luz que por ela entrava não pedia permissão para alisar os móveis de madeira descascada, o tapete puído que servia de brinquedo a gatos, e o chão acolhedor acostumado a monges amarelos. Coleava entre os objetos presentes e apenas era.

O silêncio daquela madrugada de meditação, transformando-se em dia, recebia objetos, luzes e monges em meditação da mesma maneira.

Respirar é preciso, imaginar não é preciso.