Quem disse que meus poemas são poemas? Meus poemas não são poemas. Quando entenderes que meus poemas não são poemas, poderemos então falar de poesia.
Ryokan (1758-1831)

Aparência

Posted: February 27th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Quando o vento frio matinal soprou assustando o gato cinza espreguiçado sobre a cama, o velho monge amarelo, sentado de pernas cruzadas no chão, não se mexeu.

Amanhecia pela janela aberta do quarto, e a luz que por ela entrava não pedia permissão para alisar os móveis de madeira descascada, o tapete puído que servia de brinquedo a gatos, e o chão acolhedor acostumado a monges amarelos. Coleava entre os objetos presentes e apenas era.

O silêncio daquela madrugada de meditação, transformando-se em dia, recebia objetos, luzes e monges em meditação da mesma maneira.

Respirar é preciso, imaginar não é preciso.



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