Quem disse que meus poemas são poemas? Meus poemas não são poemas. Quando souberes que meus poemas não são poemas, poderemos então falar sobre poesia.
Ryokan (1758-1831)

Endless

Posted: June 29th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Um sorriso ao menos. Um olhar ao lado.

Tanto por tão pouco. Parece.

Mas não é.

Jacaré sem calda não tem bicho de pé.


Belly button

Posted: June 29th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Certas situações cansam e parecem que não acabam nunca. Sobra o tempo, a vontade, algumas borboletas na barriga e a mente na imensidão. E daí?

- Quando eu me for, essa certeza vai me acompanhar?

- Se você aprender a esperar, monge, a espera se transforma na sua resposta.

-…

Quando tomo chá, eu sou a xícara, eu sou o chá… mas mesmo assim, há uma verdade maior:  eu queria muito ter uma almofada doce, igualzinha ao teu colo.


Joyous acceptance

Posted: May 26th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | 2 Comments »

Sexta, sábado, quarta, quarto de manhã.

Manoela sorri, olhando o dia, em um desencanto feliz.

Se fosse diferente seria melhor?


Joshu

Posted: May 9th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Se ainda fosse, mas não.

Toda pergunta é sem resposta.

Uma beleza só.

Ele abre a boca e mostra o coração.


Beginningless

Posted: April 24th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Não tem comparação. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é.

- Ele perguntou o que eu achava e eu respondi.

- A verdade?

- Não. Algo ainda mais importante.

- …

O saxofone soa como um pato e o trompete como um ganso.


Quando

Posted: April 22nd, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Nem sempre é assim

Os bons livros

Queimam devagar no inverno


Calamity 101

Posted: April 1st, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | 3 Comments »

Minha vida desmorona em um sorriso: cada vez menos pra ver, cada vez menos para qualquer coisa.

More is less, they say. And I agree in disagreement.

No fundo é tudo igual.


Broadcast

Posted: March 17th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Penso em você

O som dos meus dedos no teclado

Não tem um lugar para morar


Ex-libris

Posted: March 16th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Chove lá fora

Uma caneta descansa

No frio do ar-condicionado


Reverência

Posted: March 3rd, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Ela escorre pela esguia fresta inconsolada.

Ele não se importa.

Ao pisar no chão de pedra com salto alto, cócegas dentro do nariz.


Aparência

Posted: February 27th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Quando o vento frio matinal soprou assustando o gato cinza espreguiçado sobre a cama, o velho monge amarelo, sentado de pernas cruzadas no chão, não se mexeu.

Amanhecia pela janela aberta do quarto, e a luz que por ela entrava não pedia permissão para alisar os móveis de madeira descascada, o tapete puído que servia de brinquedo a gatos, e o chão acolhedor sob velhos monges amarelos sentados em meditação. Entrava, coleava lentamente entre os objetos presentes e apenas era.

O silêncio daquela madrugada de meditação, transformando-se em dia, recebia objetos, luzes e monges em meditação da mesma maneira.

Respirar é preciso, imaginar não é preciso.


Depois da chuva

Posted: February 26th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Todo medo começa e termina, qual flor de pessegueiro, em dia de outono.

Saber parar. Ser capaz de deixar a vida acontecer através de você.

Porque é tão difícil gostar do que se tem?


Put hot water and stir well

Posted: January 27th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Um dois, um três nas teclas pretas do telefone: sem você não há porquês.

Contar.

Esperar.

Maxilar relaxado deixa o café mais gostoso.


Eu sou você

Posted: January 23rd, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Um som, um gosto, um cheiro.

- Eu te conheço?
- Sim…

Pois é. O devagar é sempre instântaneo.


Tempurá sutra

Posted: January 21st, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Uma hora, aqui mesmo, tudo isso vai se despedaçar por completo, I can feel it already, you know.

Daí, nem eu, nem você.

Pois tudo é um andar vasto que continua no mesmo lugar… cócegas no coração, sem aparente razão. E o verdadeiro amor é um voltar para casa, sem nunca ter saído dela.

O resto é invenção.

Essa é a melhor parte: não há nada aqui, mas nada está faltando.


Yellow

Posted: December 13th, 2008 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Não-dual em pétalas:

- Qual o sentido real desse ensinamento?
- A rua alagada aí da frente.
- …

Chove. E cada pingo de chuva reflete, generosamente, a luz do sol, da lua, e da tua imaginação.


De longe é igual

Posted: November 12th, 2008 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Vale mais relaxar as pernas, os dedos, os ombros, as costas e ver tudo deste espaço vasto, meu e teu – a vida está em todo lugar e é prestando atenção nela que uma janela do tamanho de uma varanda sem fim aparece.

Toda essência flutua, bela em êxtase: do realize that it is not you who moves from dream to dream… all dreams flow before you.

Nós deveríamos sempre dançar como se não houvesse ninguém olhando.


Not even me

Posted: November 10th, 2008 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Sem corpo ou mente a vida é pura liberdade e cócegas.

Pois toda grama cresce no tempo certo, e toda verdade acontece naquele momento que a gente esquece quando relembra sonhando que está faltando alguma coisa.

Yes.

Stay where you are, tangerine.

And be forever.


Amitayus flavour

Posted: October 24th, 2008 | Author: lanusse | Filed under: Textos | 1 Comment »

Nem mais um dia com porquês.

Afinal, chove.

Mas nem faz tanto frio.


Lotus feet, 21

Posted: September 18th, 2008 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »

Além do sim e do não, dobrando a esquina, há um lago azul-baunilha onde coelhos transparentes recitam mantras luminosos e flutuam adocicados com suas pernas-de-pau sobre as orelhas.

Let it be.

Look inside.

Nem tente.

No café com leite diário do meio da tarde, faça frio ou samba, o açucar mascavo é de praxe por ali.