Endless
Posted: June 29th, 2009 | Author: lanusse | Filed under: Textos | No Comments »Um sorriso ao menos. Um olhar ao lado.
Tanto por tão pouco. Parece.
Mas não é.
Jacaré sem calda não tem bicho de pé.
Um sorriso ao menos. Um olhar ao lado.
Tanto por tão pouco. Parece.
Mas não é.
Jacaré sem calda não tem bicho de pé.
Certas situações cansam e parecem que não acabam nunca. Sobra o tempo, a vontade, algumas borboletas na barriga e a mente na imensidão. E daí?
- Quando eu me for, essa certeza vai me acompanhar?
- Se você aprender a esperar, monge, a espera se transforma na sua resposta.
-…
Quando tomo chá, eu sou a xícara, eu sou o chá… mas mesmo assim, há uma verdade maior: eu queria muito ter uma almofada doce, igualzinha ao teu colo.
Sexta, sábado, quarta, quarto de manhã.
Manoela sorri, olhando o dia, em um desencanto feliz.
Se fosse diferente seria melhor?
Se ainda fosse, mas não.
Toda pergunta é sem resposta.
Uma beleza só.
Ele abre a boca e mostra o coração.
Não tem comparação. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é.
- Ele perguntou o que eu achava e eu respondi.
- A verdade?
- Não. Algo ainda mais importante.
- …
O saxofone soa como um pato e o trompete como um ganso.
Nem sempre é assim
Os bons livros
Queimam devagar no inverno
Minha vida desmorona em um sorriso: cada vez menos pra ver, cada vez menos para qualquer coisa.
More is less, they say. And I agree in disagreement.
No fundo é tudo igual.
Penso em você
O som dos meus dedos no teclado
Não tem um lugar para morar
Chove lá fora
Uma caneta descansa
No frio do ar-condicionado
Ela escorre pela esguia fresta inconsolada.
Ele não se importa.
…
Ao pisar no chão de pedra com salto alto, cócegas dentro do nariz.
Quando o vento frio matinal soprou assustando o gato cinza espreguiçado sobre a cama, o velho monge amarelo, sentado de pernas cruzadas no chão, não se mexeu.
Amanhecia pela janela aberta do quarto, e a luz que por ela entrava não pedia permissão para alisar os móveis de madeira descascada, o tapete puído que servia de brinquedo a gatos, e o chão acolhedor sob velhos monges amarelos sentados em meditação. Entrava, coleava lentamente entre os objetos presentes e apenas era.
O silêncio daquela madrugada de meditação, transformando-se em dia, recebia objetos, luzes e monges em meditação da mesma maneira.
Respirar é preciso, imaginar não é preciso.
Todo medo começa e termina, qual flor de pessegueiro, em dia de outono.
Saber parar. Ser capaz de deixar a vida acontecer através de você.
Porque é tão difícil gostar do que se tem?
Um dois, um três nas teclas pretas do telefone: sem você não há porquês.
Contar.
Esperar.
Maxilar relaxado deixa o café mais gostoso.
Um som, um gosto, um cheiro.
- Eu te conheço?
- Sim…
Pois é. O devagar é sempre instântaneo.
Uma hora, aqui mesmo, tudo isso vai se despedaçar por completo, I can feel it already, you know.
Daí, nem eu, nem você.
Pois tudo é um andar vasto que continua no mesmo lugar… cócegas no coração, sem aparente razão. E o verdadeiro amor é um voltar para casa, sem nunca ter saído dela.
O resto é invenção.
…
Essa é a melhor parte: não há nada aqui, mas nada está faltando.
Não-dual em pétalas:
- Qual o sentido real desse ensinamento?
- A rua alagada aí da frente.
- …
Chove. E cada pingo de chuva reflete, generosamente, a luz do sol, da lua, e da tua imaginação.
Vale mais relaxar as pernas, os dedos, os ombros, as costas e ver tudo deste espaço vasto, meu e teu – a vida está em todo lugar e é prestando atenção nela que uma janela do tamanho de uma varanda sem fim aparece.
Toda essência flutua, bela em êxtase: do realize that it is not you who moves from dream to dream… all dreams flow before you.
…
Nós deveríamos sempre dançar como se não houvesse ninguém olhando.
Sem corpo ou mente a vida é pura liberdade e cócegas.
Pois toda grama cresce no tempo certo, e toda verdade acontece naquele momento que a gente esquece quando relembra sonhando que está faltando alguma coisa.
Yes.
Stay where you are, tangerine.
And be forever.
Nem mais um dia com porquês.
Afinal, chove.
Mas nem faz tanto frio.
Além do sim e do não, dobrando a esquina, há um lago azul-baunilha onde coelhos transparentes recitam mantras luminosos e flutuam adocicados com suas pernas-de-pau sobre as orelhas.
Let it be.
Look inside.
Nem tente.
No café com leite diário do meio da tarde, faça frio ou samba, o açucar mascavo é de praxe por ali.